Não podendo aumentar (felizmente para todos) a carga horária e tendo os AAE direito ao seu período de descanso para a refeição, o número de alunos por AAE torna-se assustador.
Na hora do almoço, é, ainda, necessário controlar a fila de acesso ao Refeitório, a Sala de Convívio e espaços exteriores ... sem esquecer aqueles que, no exterior da escola e sem dela fazerem parte por lá vão rondando sem que haja vigilância policial visível!
Os alunos portadores de deficiência (NEE's) são, este ano, bem mais que no ano anterior, mas reforço de pessoal para apoiar não existiu. Há alunos que, pela primeira vez chegaram às Dairas que requerem uma atenção individualizada e constante (há os que são dependentes fisicamente; há -os com trissomia 21; há-os com problemas de convivência social, tornando-se, uns agressivos, outros incapazes de obedecer a ordens de pessoal, seja docente ou não). No concelho de Vale de Cambra há uma Unidade de Intervenção Especializada / UIE(a funcionar em Lordelo e sob a dependência das Dairas). Tem de estar aberta a tempo inteiro, com AAE e professor especializado. Sabem quantos AAE nos deram? Zero! Sabem quantos professores do Ensino Especial nos atribuiram para todo o AVED (Pré-Escolar + 1º CEB + 2º CEB + 3º CEB + UIE)? Quatro (uma e meia já fica na UIE)...
Nas aulas de Educação Física, por vezes, há alunos que se magoam e é necessário acompanhá-los ao Centro de Saúde de Vale de Cambra. Daqui (e infelizmente não é novidade para ninguém) vão para S. J. da Madeira ou Santa Maria da Feira. Com quem? Com AAE das Dairas! Há crianças que chegam bastante doentes (febres, dor de dentes, gripes, constipações, otites e outras infecções, por exemplo) e cujos pais insistem em mandá-las à escola, talvez na esperança de as levarmos ao médico... e quem vai? AAE ou membros do Conselho Executivo !
Desde que houve junção de escolas e jardins de infância e se criou o Agrupamento Vertical de Escolas de Dairas (AVED), tem sido prática resolver falhas das Prés e das Escolas Primárias com pessoal das Dairas (porque ultrapassamos as burocracias em benefício imediato da comunidade educativa). Agora não é possível, pois não há mais lençol para esticar!
Neste momento, duas AAE estão de baixa (cirurgia) e, como dos cinco AAE pedidos desde o início do ano não chegou autorização para qualquer contrato, o Presidente, tal como prometeu à Coordenação Educativa, vai tentar ser, também AAE, quiçá porteiro, pois, nem para POC's do Instituto de Emprego estamos autorizados (unzinho só!). Há intervalos em que elementos do Conselho Executivo conseguem algum tempo para ajudarem na vigilância (exterior e interior)...
No Jardim de Infância de Lordelo, como noutros estabelecimentos do AVED, teve o Conselho Executivo de atender reclamações de professores, abaixos-assinados de encarregadsos de educação, ouvir dizer que determinados senhores disseram que a culpa era do Conselho Executivo ... e tentámos resolver, pedindo a quem de direito. A resposta tardou, mas chegou: através de ofício, a Coordenação Educativa informou que cabia à autarquia a substituição de Pessoal Auxiliar no Pré-Escolar.
A tudo isto acresce o seguinte: ainda há que manter salas, corredores, casas de banho, portas e janelas, vitrinas e espaços ajardinados, espaço exterior ... LIMPO e APRESENTÁVEL.
Louvo o desempenho do Pessoal Não Docente deste AVED, porque melhor, não sendo impossível, é muito difícil. Para não termos de lamentar situações desagradáveis, apelamos ao bom-senso e à colaboração de toda a Comunidade.
Já agora... diminuíam-nos as preocupações se as consolas e os telemóveis ficassem em casa!
Nelson Martins

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