segunda-feira, 3 de março de 2008

Professor Doutor José Eduardo Pinto da Costa enriqueceu alunos das Dairas




22 de Fevereiro, outros tantos graus de temperatura, misturados com jovens de 14/15 anos ávidos/as de curiosidades, com uma parca dose de professores/as e convidados q.b., na voz sapiente, concisa e humorística do Professor José Eduardo Pinto da Costa, tornaram inesquecivelmente enriquecedora a tarde passada no auditório da ACR de Vale de Cambra.[1]
Sob o tema «Criminalidade e Comportamentos Desviantes», aquele distinto Professor, agora Jubilado[2], que chegou com cerca de uma hora de antecedência, a fim de se precaver de obstáculos no trânsito e para melhor se enquadrar com o cenário a encontrar, deslocou-se à EB2,3 Dairas para conhecer parte das suas instalações e dialogar brevemente com alguns elementos desta comunidade educativa.
Acompanhado da Professora Catarina Caetano Camilo, a docente que conseguiu convencê-lo a palestrar aos nossos alunos, o Professor foi aplaudido de pé pelos/as jovens do 9º ano, numa demonstração de educação e de respeito, indiciadora de que os/as Professores/as conseguem motivar a adolescência para as boas práticas. Iniciada a palestra, que poderemos dividir em três partes, apareceram primeiramente os conceitos, depois a componente pragmática e, finalmente, a das interacções com o público.
Afirmando que cada um de nós é dono do seu próprio saber, explicou o significado da desviância e do comportamento desviante. Este varia consoante o ângulo de observância, porquanto a desviância contestatária poderá conduzir à integração do jovem em grupos marginais e, consequentemente à delinquência. Nenhuma conduta é desviante por si só, mas é-o pelo significado que lhe atribuímos; desviante é quem não respeita as normas[3] e as transgride. Quando um jovem mantém o desvio das normas socialmente aceites, para lá daquilo que se entende como contestação juvenil, será rejeitado, refugiando-se em grupos minoritários, mas com regras próprias de grande coesão…
A visão do crime por ópticas diferentes, bem como a co-relação entre os tipos de crime e as penas a aplicar, também foram conteúdos levemente abordados, antes da entrada na parte mais apelativa da sessão. Começando por classificar os serial kealler’s, como um fenómeno recente, enormemente difundidos pela comunicação social e com grande impacto nos estudos da medicina legal, o Professor discorreu sobre psicóticos e psicopatas[4], enumerou os diversos tipos de crimes, falou da ética e da importância do exame bem feito ao local do crime[5], serviu-se do humor e dos exemplos para cativar uma plateia que gostou bué de ali ter estado.
Na parte destinada às questões do público, o Professor defendeu a importância da Comunicação Social, não como um instrumento de difusão do crime, mas como uma mais valia informativa para ajudar a prevenir e a desvendar o crime e o respectivo móbil. Falou sobre séries televisivas como o CSI ou de crimes imortalizados pelo cinema, deixou pormenores lapidares acerca da personalidade de alguns dos mais pérfidos criminosos – portugueses e mundiais.[6]
Passámos rapidamente pelo tempo sem nos termos apercebido, pelo que era chegado o momento de encerrar a sessão e agradecer, porque os principais convidados[7] tinham de partir. Todos/as nos sentimos mais enriquecidos/as pela simplicidade de um Homem conhecedor e sapiente, que partilhou a sua longa vivência profissional numa brilhante e não menos cativante palestra.
Nelson da Silva Martins
[1] A Professora Organizadora e o Conselho Executivo agradecem à Direcção da ACR, ao Senhor Manuel Pinho em particular, e a todos os seus sócios, a prestimosa colaboração prestada, quer pela cedência do espaço e de alguns equipamentos, quer pela disponibilidade evidenciada, antes, durante e após a sessão.
[2] Cinquenta anos a leccionar é muito tempo…
[3] No Código Penal encontram-se as normas a respeitar para que a sociedade funcione em segurança e em liberdade.
[4] Bem como sobre a importância das palavras na forma como se transmite a mensagem: se dissermos a um/a psicopata que ele/a sofre de alteração da personalidade, o mais certo é sermos agradecidos!
[5] Três quartos da investigação criminal poderá resolver-se com um rigoroso exame ao local do crime, seguindo-se a autópsia médico-legal, em que as pistas dadas pela comunicação social são tidas em consideração… para que o cenário do crime perfeito não possa ser construído.
[6] Um serial kealler afirmou, antes de ser executado nos EUA, a propósito da doação da sua córnea ocular para se proceder a um estudo: «Se em vida ninguém quis saber de mim, como é que depois de morto eu vou querer saber dos outros?»
[7] Alunos/as, Conferencista, Professores/as e Representantes das entidades partiriam: uns para as suas residências, outros para os seus afazeres…

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